HISTÓRIA
DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL |
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DA IGREJA DE ARAPIRACA

O QUE É
A ASSEMBLEIA DE DEUS
A Assembléia de Deus
é uma igreja evangélica pentecostal que prima pela ortodoxia
doutrinária. Tendo a Bíblia como a sua única regra
de fé e prática, acha-se comprometida com a evangelização
do Brasil e do mundo.
O seu Credo de Fé realça a salvação pela
fé no sacrifício vicário de Cristo, a atualidade
do batismo no Espírito Santo e dos Dons Espirituais e a bendita
esperança na segunda vinda do Senhor Jesus.
Conheça a História completa e detalhada do nascimento
desta Igreja. Saiba que Deus estava com os pioneiros desde os primeiros
dias. Momentos de fé, de coragem e determinação
pelo Evangelho. Uma história de Edificação
O CONCEITO
DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS NO BRASIL
Nas primeiras décadas
de sua existência no Brasil, as Assembléias de Deus foram
impiedosamente discriminadas, alvo de incontáveis hostilidades
partidas principalmente do baixo clero católico-romano e de integrantes
de outros segmentos religiosos. Não poucos daqueles irmãos
pioneiros foram agredidos e feridos pelo amor de Cristo, e até
em prisões estiveram. A firmeza de sua fé e os princípios
éticos ensinados na igreja e praticados pelos seus líderes
e membros foram, porém, modificando o conceito sobre as Assembléias
de Deus, da parte dos que não entendiam as visíveis marcas
da Obra e da real presença do Espírito Santo na vida dos
crentes.
Atualmente, em todas as unidades da federação, as Assembléias
de Deus passaram a ser tratadas com apreço pelas autoridades,
e de seu próprio seio vem surgindo importantes lideranças.
A partir dos pobres e desprezados subúrbios e das zonas rurais,
a igreja, antes integrada quase somente por pessoas das classes mais
humildes, caminhou para as áreas nobres das cidades, alcançando,
também, a classe média. Incontável número
de líderes comunitários, vereadores, vice-prefeitos, prefeitos,
deputados estaduais e federais, como também de professores, magistrados,
oficiais militares, profissionais liberais, são agora membros
da Assembléia de Deus. A primeira mulher evangélica eleita
para o Senado da República é uma ex-favelada originária
da igreja pentecostal pioneira. Essa ascensão social e contribuição
no sentido da conquista da cidadania, da dignificação
do ser humano que a conversão a Cristo proporciona, chegou a
ser reconhecida inclusive pela escritora Rachel de Queiroz, membro da
Academia Brasileira de Letras, que, em artigo na imprensa, focalizou
"O avanço dos crentes". Assim:
"Os jovens, que ’viviam como bichos’, no dizer dos
velhos, sem doutrina, sem ensino (...), hoje vivem como gente, ’se
entregam a Jesus’, cantam hinos, ’falam línguas’,
assumem novo status. E os velhos (...) atiram-se sofregamente as novas
práticas, como recuperando o tempo perdido. Vale a pena ver a
dignidade com que se cumprimentam: ’A paz do Senhor! ’ Sentem-se
membros honrados de uma comunidade (...), não vivem mais em abandono."
Em março de 1985, José Bittencourt Filho, então
mestrado em Ciências da Religião do Instituto Metodista
de Ensino Superior, revelou que importante figura do mundo político
de Pernambuco "... mencionou diversas vezes que todas as lideranças
do movimento estavam ligadas as ADs e outras igrejas pentecostais. A
razão talvez seja", conclui, "que os ’crentes’
desenvolvem uma habilidade de verbalização e uma ética
rigorosa, que os coloca em condições privilegiadas de
exercerem lideranças de grupos."
Focalizando "Uma congregação da Assembléia
de Deus" no livro Os Escolhidos de Deus Pentecostais, Trabalhadores
e Cidadania, a pag. 94, depois de colher calorosos testemunhos de agricultores
evangélicos em Santa Maria, Pernambuco, Regina Reyes Novaes observa:
"No processo de conversão, assim como na vida religiosa
posterior, a ’comunidade de irmãos’ é muito
importante. E o grupo que acolhe o novo convertido, que dá sentido
e impulsiona o processo de conversão no qual se valoriza a individualidade..."
Em opúsculo movido por óbvios propósitos contestatórios,
o padre católico-romano Sandro Schiattarella, surpreendentemente,
diz, sem sequer ocultar a fundamentação bíblica
de sua assertiva:
"A Assembléia de Deus pertence as igrejas pentecostais que
visam despertar o entusiasmo religioso, segundo o modelo do que aconteceu
em Jerusalém nos primeiros dias de Pentecostes, quando o Espírito
Santo desceu sobre os apóstolos e eles começaram a falar
diversas línguas" (At 2).
A igreja fundada por Gunnar Vingren, Daniel Berg e pequeno e humilde
grupo de batistas paraenses também se distingue, no meio evangélico,
pelo equilíbrio e seriedade que nela predominam. Depoimento dado
por escrito pelo prof. Jaci Correia Maraschin, metodista, doutor em
Ciências da Religião, alude ao que ele classifica como
"pentecostalismo sadio": "Segundo a nossa experiência,
as Assembléias de Deus pertencem a esse grupo ’sadio’,
digno da confiança dos brasileiros." (Na "Apresentação"
ao opúsculo Imagens da Assembléia de Deus, Instituto Metodista
de Ensino Superior, São Paulo, SP, 1983.)
Os pioneiros, recolhidos pelo Senhor antes do cumprimento de ricas promessas
quanto ao progresso da Obra, tem, assim, nas mãos de seus descendentes,
e dos demais irmãos de hoje, a colheita dos frutos cujas sementes
(a Palavra de Deus) um dia semearam.
OS PIONEIROS
GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG
DANIEL BERG já era
quase octogenário quando retornou a pátria pela qual pulsava
tão fortemente o seu coração (não era mais,
porém, que o seu amor a Cristo e a Obra do Senhor). No hospital,
o enfermo ancião cujas mãos, em nome de Cristo, curaram
talvez milhares e abençoaram milhões, combalido, mas perseverante,
percorria as enfermarias, não obstante as interdições
médicas, a distribuir folhetos com a doce mensagem da cruz. Nunca
deixou de exercer a sua missão de embaixador de Cristo.
Quando a morte chegou (em 1963), feliz ele sorria, como a dizer: "Onde
estão, ó morte, os teus aguilhões?" E em Cristo
se abrigou para todo o sempre. Só os céus podem avaliar
o quanto os dois pioneiros fizeram pela saúde espiritual do Brasil,
onde o povo, maciçamente, com pouquíssimas exceções,
pendia para a crendice e os ídolos.
GUNNAR VINGREN regressou a Suécia aos 53 anos, a 15 de agosto
de 32, quando em plena atividade pastoral, no Rio de Janeiro. Em 2 de
junho de 1933, às duas horas e 45 minutos da tarde, partia para
as moradas eternas. Seu filho Ivar recorda: "Dois dias antes, ele
fora arrebatado. Esteve no céu e viu coisas maravilhosas. Quando
voltou, cantaram em línguas hinos espirituais, e em seguida disse
para minha mãe: ’Agora eu sei que Jesus vai me levar, agora
sei que vou embora para o céu.’ Dois dias depois ele nos
chamou a todos, e se despediu de cada um de nós, nos deu uma
palavra, um conselho para cada um especificamente".
Frida, a esposa, assim testemunha sobre a morte de Gunnar Vingren: "...
com os braços levantados, exclamou: ’Jesus, tu és
maravilhoso. Aleluia! Aleluia!"
O Senhor os enviou, e eles renunciaram a riqueza do Norte e a civilização
européia para virem ao encontro de um país de massas paupérrimas,
o qual logo se lhes desnudou a face tenebrosa. Aqui, a tuberculose,
a lepra, a malária – tantas endemias e epidemias –
dizimavam sem piedade. E a miséria estendia sobre quase todos,
por onde eles andaram inicialmente, seu império abominável.
Eles chegaram com a bandeira da libertação sobre os males
da alma e do corpo, ensinando-nos a abrir o coração ao
Espírito de Deus. A viver em intimidade com Cristo. Em suma:
a receber as bênçãos. Berg e Vingren fazem jus a
coroa que Deus lhes preparou.
A Jornada
Na gigantesca onda de imigrantes que, em fins do século XIX e
início do século XX, a sonhar com melhor futuro, deixaram
a Suécia em busca de emprego nos Estados Unidos, estavam dois
jovens que jamais se haviam encontrado em sua terra.
Infância Cristã
O mais velho, exemplar filho de crentes, aos 18 anos batizado em águas,
teve como berço uma localidade chamada Ostra Husby, em Ostergotland.
O outro, também de família evangélica (batista),
viveu, igualmente, uma infância de verdadeiro cristão,
e com apenas 15 anos de idade se fez batizar. Seus nomes: Daniel e Gunnar.
Aquele, até o início da juventude residiu no torrão
natal, Vargon ("Ilha do Lobo"), onde lobos não havia;
ao contrário, vivia-se cercado de bonança por todos os
lados – sem perspectivas, porém, de dias melhores.
Sem que eles, então, nem de longe pressentissem qualquer sinal,
ao conduzi-los ao outro continente, a mão de Deus, desde cedo,
começou a direcioná-los para inimagináveis pontos
de convergência. Nestes estava, inclusive, embora em segundo plano,
um amigo de infância de Daniel – Lewi Pethrus –, que
lhe propiciou ter "o primeiro contato com a obra pentecostal e
sua mensagem". Pethrus viria ao Brasil, pela primeira vez, quando
a Obra de Deus iniciada pelos dois missionários passava provavelmente
pela sua maior crise, e ajudou a orientá-la nos rumos que a levariam
a ser – sob o aspecto numérico, pelo menos – a mais
importante comunidade pentecostal de todos os tempos.
A Terra Natal
Em suas memórias, Daniel, que sempre nutriu acendrado amor por
sua terra, retrata o cenário da infância: "... para
mim, Vargon é um desses lugares mais lindos da Suécia";
e tenta consertar o seu arroubo: "... sem que vá nesta declaração
qualquer manifestação de bairrismo..." Ele continua,
a enfocar seu berço, como o fazia saudoso, no Brasil, sem permitir
porém que o apego as suas raízes interferisse na grande
chamada: "Vargon tem a um lado o lago Vanern, do qual a cidade
mais próxima, Vanersborg, tomou o nome. Do outro lado estão
situadas as montanhas Hunneberg e Halleberg, lugares prediletos dos
reis da Suécia para realizar caçadas. Nós, as crianças,
durante o verão e o outono, passávamos todas as horas
de férias nessas montanhas, contemplando as fontes abundantes
e os lagos cristalinos." Quão diverso, esse cenário,
daquele em que, sob as mais duras provações, iria ser
protagonista de um acontecimento que viria a comover milhões
de brasileiros! Daniel embarcou, a 5 de março de 1902, em Gotemburgo,
rumo aos Estados Unidos, em sua primeira viagem marítima, a que
muitas outras se seguiriam, como obreiro do Senhor. O dia estava frio
e o "Romero" começou a afastar-se do porto.
"Mesmo que eu me arrependesse de haver embarcado", recorda
o sueco apegado ao seu pais, "já era tarde para mudar de
idéia." Procurava tranqüilizar-se: "Pensei, então,
comigo mesmo, que não veria a primavera sueca naquele ano, nem
no ano seguinte. Sabia, isso sim, que ao iniciar a primavera, eu estaria
no país dos grandes sonhos e esperanças, a América
do Norte. Na América também havia primavera, e, pensei,
talvez seja igual na Suécia." O porto do desembarque era
Yorkshire, na embocadura do rio Hull, onde a cidade do mesmo nome vinha
a ser uma das mais importantes da Inglaterra. Depois de breve permanência
em Hull, Daniel rumaria a Liverpool, então a quarta cidade da
Inglaterra em população, de onde embarcou, a 11 de março,
com destino aos Estados Unidos. Era a velha cidade de Boston, arquitetonicamente
e sob o aspecto urbanístico bem britânica, que se lhe descortinava,
dias depois de deixar o Velho Mundo. Logo, estaria em Providence, Estado
de Rhode Island, onde, com a ajuda de amigos, obteve emprego em uma
fazenda.
Vingren nos EUA
Gunnar Vingren viajou para Gotemburgo em meados de 1903. No dia 30 de
junho tomava o vapor que o levaria a mesma cidade de Hull, por onde
no ano anterior passara Daniel. E não se tratava de mera coincidência.
Era a mão de Deus dando continuidade aos mais altos desígnios.
De trem continuou ate Liverpool e, novamente, por via marítima
prosseguiu em sua jornada até Boston. Mas precisou viajar mais,
com destino a casa do seu tio Carl, residente em Kansas City, onde chegou
em 19 de novembro, após dezenove dias de viagem. Logo, Gunnar
conseguiu empregar-se, até o verão, como foguista em Greenhouse.
No inverno, viria a trabalhar como porteiro de uma loja e jardineiro.
Na condição de estrangeiro, sobravam-lhe, como sempre
acontece, as ocupações mais modestas. Em fevereiro de
1904, hei-lo a caminho de outro endereço, em busca de seu ganha-pão:
a cidade de St. Louis, onde passou a trabalhar no Jardim Botânico.
A "Chamada" Equivocada
Um tio de Gunnar Vingren havia sido missionário na China; e ele
começou a cogitar de tomar o mesmo destino. Mas o Senhor falou-lhe
ao coração, demovendo-o daquele propósito. Uma
vez batizado no Espírito Santo, Gunnar iria sentir-se em plena
sintonia com os recados de Deus. Ele fez o curso teológico em
Chicago, no Seminário Batista Sueco, de setembro de 1904 a 1909.
A isso fora exortado, quando pertencia a Igreja Batista. Nesse período,
como estagiário, pregava em vários lugares: na Primeira
Igreja Batista em Chicago, Michigan, em Sycamore, Illinois; Blue Island,
Illinois. Nos últimos estágios pastoreou a igreja em Mountain,
Michigan. Estava intelectualmente preparado, adquirira alguma experiência
pastoral, mas ainda carecia de algo para estar pronto. Ao resistir,
por fim, a determinação dos ministros quanto a sua viagem
para a China – pois o que lhe ia no coração nada
tinha a ver com o multissecular país – sérias conseqüências
o envolveram. Foi-se-lhe inclusive a noiva, que aspirava acompanhá-lo
ao Oriente e, desatendida, optou pelo rompimento do compromisso...
De Volta a Suécia
As saudades da família, de sua bucólica Vargon, falaram
a Daniel tão fortemente que um dia, em 1908, regressou. Embora
pudesse parecer estranho esse capítulo de sua história,
um retrocesso, mais uma vez era o Senhor articulando todos os seus passos.
Informado do destino de seu amigo Lewi Pethrus, desejou Daniel viajar
ao seu encontro.
Sintonia com Deus
Pethrus, que vivia numa cidade próxima, onde pregava o Evangelho,
falou-lhe das doutrinas pentecostais. No regresso aos EUA, em 1909,
Daniel recebeu o batismo no Espírito Santo.
O Grande Avivamento
Era tempo de um grande Avivamento nos Estados Unidos, exatamente o pais
onde Daniel havia estado e aonde agora retornava. Em muitas igrejas
tradicionais, crescia o número dos que recebiam a promessa pentecostal.
A princípio, eles não se afastavam de suas comunidades,
mas começaram a ter encontros em que, com maior liberdade, ouvia-se
sobre o Evangelho Pleno, viam-se e ouviam-se homens, mulheres e crianças
a falar em línguas, a receberem a cura divina. Muitos outros
buscavam, e também recebiam o que Jesus prometera antes de sua
ascensão.
Em 1854, a chama pentecostal havia crepitado mais fortemente na Nova
Inglaterra (Boston e adjacências); em 1892, na cidade de Moarehead;
em 1903, em Galena, Kansas; em Orchard e Houstok, nos anos de 1904 e
1905. Tão perto do Pentecostes, no entanto ele precisou atravessar
o oceano para encontrá-lo...
Com Deus
Após uma semana convencional, o poder de Deus envolveu a Vingren,
extraordinariamente. Mais tarde, pode entender o que o Espírito
Santo desejava dizer-lhe: uma irmã com o dom de interpretação
de línguas foi usada pelo Senhor para dar-Ihe ciência de
que antes de seguir ao campo missionário, deveria ser revestido
de poder. Em novembro do mesmo ano (1909), recebeu o revestimento de
poder.
Agora, Daniel e Gunnar tinham alguma coisa mais em comum, além
da condição de patrícios, servos do Senhor e imigrantes
no mesmo pais. Com um ano de diferença, eram ambos batizados
no Espírito Santo, falavam línguas estranhas.
UNIDOS POR
DEUS
Passos Convergentes
Faltava pouco, agora, para o encontro. E isto aconteceu também
em 1909, em Chicago, como participantes de uma conferência.
Depois de longo diálogo, em que cada vez mais se identificavam
e se compenetravam da chamada de Deus, passaram a orar diariamente,
em busca de completa orientação do Alto.
Um Nome no Sonho: Pará
Alguns dias se passaram, até quando um crente batizado no Espírito
Santo, chamado Adolfo Uldin, narrou-lhes um sonho, em que os dois amigos
eram personagens, e em que lhe aparecera, bem legível, um nome
muito estranho: Pará. Uldin jamais lera ou ouvira tal palavra.
Mas, entendeu tratar-se de um lugar.
Daniel e Vingren compreenderam que era a resposta de Deus as suas muitas
orações. No dia seguinte, dirigiram-se a uma biblioteca,
a fim de consultar os mapas. Ao verificarem a distância do país
em que ficava o Pará, chegaram a ser abalados pelas dúvidas,
mas após uma semana de oração convenceram-se quanto
ao destino a tomar. A decisão se tornara irreversível.
E Deus continuou a dispor marcos no caminho dos suecos para que pudessem
comprovar a certeza da vontade divina em suas vidas.
Provisão do Senhor
O dinheiro de que dispunham era muito pouco, mas significava mais um
indicativo dos rumos a serem tomados: noventa dólares –
o preço da passagem até o longínquo país
onde havia um lugar chamado Pará. Mas, eis que, com novo teste,
Deus voltava a desafiar-lhes a fé: o Senhor ordenava a Vingren
doar os noventa dólares ao jornal da igreja do pr. Durham. E
Daniel concordou. Eles o visitavam em Chicago, em busca de alguma contribuição
para a viagem, "mas", recorda Daniel, "os irmãos
não se mostraram muito entusiasmados. Mencionaram dificuldades
de clima e predisseram que voltaríamos sem demora. Por isso,
não nos garantiram qualquer sustento". Durham limitara-se
a separá-los para a missão no Brasil. Em outra igreja
da mesma cidade, em um culto de despedida, o pr. B. M. Johnson –
que viria a ajudá-los, quando no Brasil, nos momentos mais difíceis
– também nada pode fazer por eles, mas deixou a congregação
a vontade. Caso alguém se dispusesse... Com essa oferta poderiam
chegar ate Nova York. Prosseguiram viagem e, numa parada, depararam-se
com um amigo de Vingren que foi logo dizendo:
O Dedo de Deus
"Sabe, irmão Vingren, sonhei com você esta noite,
e Deus me falou que eu lhe deveria dar noventa dólares. Hoje
de manha pus o dinheiro em um envelope para remetê-lo... Agora
não preciso pagar a remessa." Mais um sinal no caminho:
o Senhor lhes falava de modo inusitado, mas quão claramente lhes
falava! 0 dedo de Deus era quase visível. Uma vez em Nova York,
logo começaram a buscar, nas companhias marítimas, suas
duas passagens para o dia 5 de novembro. Não tinham dúvidas;
a data era exatamente aquela.
Outro Sinal
Em South Band, o Senhor lhes havia dito tudo a respeito, pormenorizadamente.
Porém, tantos foram consultados quantos negaram haver partida
para 5 de novembro. Finalmente, encontraram um navio inglês que
se achava em reparos, não constante das listagens. E o navio,
o "Clement", começou a singrar, naquele dia prenunciado,
em direção a Belém do Pará.
Conversão sobre o
Mar
Durante a viagem, um jovem complexado, carrancudo, muito infeliz, pensava
em suicidar-se, quando Daniel lhe dirigiu a palavra, e perguntou: "Você
tem fé em Deus?" "Quem é Deus?", veio a
indagação. A mensagem do missionário tocou-lhe
profundamente o coração, ele se pôs a chorar, e
aceitou a Cristo como Salvador.
A Chegada ao Brasil
A chegada ocorreu a 19 de novembro de 1910.
Tudo era estranhíssimo para os dois suecos. As pessoas mal vestidas,
os leprosos a desfilar seus corpos mutilados, apresentando pungente
espetáculo pelas ruas. Mas o Senhor de fato os enviara, e aqui
estava para guardá-los do contágio e, logo, das agressões,
ofensas e ameaças. Alguns dos alegres passageiros que com eles
chegaram ao porto de Belém nunca imaginaram que viriam a ser
infectados, e logo depois teriam seus nomes no rol dos mortos.
No modesto hotel (onde por um dia se hospedaram) consumiram os seus
pobres 16 mil reis. Com os níqueis restantes, iriam de bonde,
no dia seguinte, em busca da residência do pastor metodista Justo
Nelson, diretor do jornal que, "casualmente", chegara as mãos
de Vingren no quarto onde se haviam hospedado. Para surpresa deles,
tratava-se de um conhecido de Vingren, nos Estados Unidos.
Separados para as missões por uma igreja batista, nada mais natural
do que encaminhá-los aos irmãos da mesma fé, o
que se fez. No dia seguinte, foram muito bem recebidos pelo missionário
Erik Nelson. Este, como eles de nacionalidade sueca, convidou- os a
cooperarem no trabalho. E ofereceu-lhes o porão da igreja, onde
se alojaram.
PORQUE DEUS
ESCOLHEU BELÉM DO PARÁ?
Vários estudiosos
têm se perguntado por que não escolheu Rio de Janeiro,
então capital do Brasil, São Paulo, Recife, ou outra grande
capital daquela época?
Conforme estudo feito pelo
Pr. Jedilson Rodrigues uma das razões que, na sua vontade, Deus
escolheu este Estado para o berço da Assembléia de Deus
foi:
1. Porque Belém, em hebraico (língua em que foi escrita
o Velho Testamento), significa Casa de Pão; e
2. Pará, em grego (língua em que foi escrito o Novo Testamento)
significa ao lado de, paralelo a, a margem de. Analisando melhor o assunto,
veremos que de Belém do Pará saiu à chama pentecostal
(pão) para esta grande Nação. Nada que Deus faz
é por acaso. Deus tem seus planos traçados desde a eternidade.
Passados mais de 100 anos esta Igreja continua UMA como no princípio,
alimentando esta Nação, não somente com o pão
espiritual, mas com o exemplo e dedicação visando, única
e exclusivamente o engrandecimento do Reino de Deus na terra.
OUTROS MISSIONÁRIOS
NO BRASIL
Ao longo dos anos, outros
missionários foram chegando. Procediam, principalmente, da Suécia
e dos Estados Unidos. O terceiro foi Otto Nelson, em 1914. Seguiram-no:
Samuel Nÿstrom (1916) e Samuel Hedlund (1921). Todos dos EUA, chegaram
em março de 1921: Nels Nelson, Ana Carlson, Beda Palha, Gay de
Vris, Augusto Anderson, Ester Anderson, Vitor Johnson e Elizabeth Johnson.
Em seguida: Gustavo Nordlund, Herberto Nordlund e Simão Lundgren,
os três em 1924. Joel Carlson veio em 1925. Orlando Boyer, enviado
pela missão da Igreja de Cristo, unindo-se mais tarde a Assembléia
de Deus, veio em 1927. Em 1928, chegavam Nils Kastberg e Algot Svenson.
Eurico Aldor Peters desembarcou no Brasil em 1933. Depois destes, Nels
Lawrence Olson (1938) e Nils Taranger (1946). Em 1948 vieram Eurico
Bergsten e John Peter Kolenda. Carlos Hultgren chegou em 1950. Bernhard
Johnson Jr., que já estivera no Brasil na infância, retornou
em 1957. As fontes consultadas não dispõem das datas em
que pisaram o solo brasileiro os missionários Anders Johnson,
Walter Goodband e Erna Miller, mas estes já estavam aqui em 1934.
Outros deram sua contribuição a evangelização
dos brasileiros, como John Aenis, Albert Widner, Guilherme Treffut,
Victor Jansson, Simão Sjogren, Nina Englund, Horace S. Ward,
Albert Widmer, Cecilia e Anderson Johansson.
OS PRIMÓRDIOS
Com Deus no Porão
Fazendo Discípulos
Ninguém poderia, nem de longe, imaginar que na humildade do sombrio
e sufocante porão da Igreja Batista da Rua João Balby,
406, nasceria a maior comunidade pentecostal da historia. Coisas surpreendentes
começaram a acontecer, é verdade, mas nada indicava que
os dois missionários pudessem vir a ser os detonadores de uma
revolução espiritual de tamanhas proporções.
As obras que o Espirito realizava já eram algo bem acima de tudo
quanto se poderia esperar.
Apesar do exíguo espaço ocupado pelos missionários,
muitos irmãos os visitavam. E eram ensinados sobre os dons espirituais,
e estimulados a buscar o batismo no Espirito Santo. Os sinais iam seguindo
os que criam. 0 Senhor curou uma paralítica, que imediatamente
deixou as muletas. (Ela as prendeu na parede de sua sala para que, mudas,
mas eloqüentes, a todos falassem do milagre.) Varias outras provas
da operação divina foram testemunhadas pelos crentes.
Mas o mais impressionante aconteceu com a irmã Celina Albuquerque:
Jesus a libertou totalmente do câncer que se enraizava em seu
rosto! Naquela mesma semana, ela estava a orar de madrugada, quando
foi batizada no Espirito Santo. Era a primeira pessoa a receber a promessa
pentecostal no Brasil. No dia seguinte, sua irmã Nazaré
teve a mesma experiência. A principio, não havia qualquer
divergência em torno de Berg e Vingren. Eles eram reconhecidos
por todos como inquestionável resposta as suas súplicas.
Os crentes mais fervorosos vinham se reunindo no templo para orar no
sentido de que Jesus lhes mandasse um obreiro. Seu pastor fazia longas
viagens, a evangelizar no Norte e Nordeste, e havia necessidade de ajudadores.
Os suecos eram uma benção também para as outras
três igrejas evangélicas existentes na cidade: todos queriam
vê-los e ouvi-los. Todos os amavam, e consideravam um milagre
o fato de não adoecerem naquelas condições de insalubridade,
sem falar do calor de Belém. 0 Pr. Nelson Erick via crescer o
número de visitantes: agora tornava-se bem mais promissora a
obra que anelava realizar. A Primeira Igreja Batista, por ele fundada
em 1897, com tantos anos de existência, até então
não tinha sequer duas dezenas de membros! Daniel e Gunnar sabiam
também que o Pr. Nelson, logo que chegara ao Brasil, dispôs-se
a rogar a Jesus que o batizasse no Espírito Santo. Decorridos
catorze dias de súplicas, o Senhor começou a derramar
copioso poder sobre ele. Sua esposa, porém, temerosa, rogou-Ihe
que parasse com "aquilo", não lhe permitindo que recebesse
a promessa. Desde então, Nelson fez-se declarado inimigo da doutrina
pentecostal.
Orações e Respostas
Todos logo notaram que os dois suecos não eram como os outros
obreiros. Embora ninguém, nem remotamente, pudesse imaginar o
quanto viria em resposta aquelas orações que atravessavam
as noites, os crentes se maravilhavam com as coisas contempladas pelos
seus olhos. 0 interesse despertado pelos ensinamentos dos missionários
e o fruto de suas longas petições desagradaram, porém,
o pastor da igreja. Berg e Vingren, porém, conheciam muito bem
a linguagem do amor.
"A Linguagem do Amor"
Daniel conta: "Chegou ao conhecimento do Pastor Batista a noticia
do progresso do nosso trabalho, e que o folheto por ele escrito contra
nos contribuiu para maior desenvolvimento da obra. Isso serviu para
que ele rompesse definitivamente relações conosco, criando-se
um abismo entre ele e nos. De nossa parte, estávamos penalizados
com a situação que ele criou, pois sua vida transformou-se
inteiramente. Já não era o homem alegre de outrora; andava
sozinho. As únicas ocasiões em que falava, era quando
pregava, assim mesmo a pregação era uma continua agressão,
contra nós e contra a Obra que se iniciara. A assistência
a sua igreja diminuía dia a dia; chegou a ponto de não
poderem sustenta-la, tão poucos eram os membros.
"Os membros ativos, cujos corações ardiam de zelo
pelas almas e que eram sustentáculos espirituais da igreja, sentiam-se
mal com a atitude agressiva do pastor, por isso vinham a Assembléia,
e ficavam.
"Certo dia, os membros expulsos da igreja batista (...), vendo
que seu antigo pastor passava privações e tinha as roupas
gastas, tomaram a decisão de ajuda-lo e sustenta-lo, apesar de
tudo quanto tinha feito contra eles. Esse gesto altruístico falava
a linguagem do amor divino e demonstrava o amor cristão de que
os irmãos estavam possuídos. 0 pastor recebeu com alegria
o auxilio..."
O Preço da Rejeição
Nenhum deles se alegrou em ver os sofrimentos do pastor, ao saber dos
seríssimos problemas que lhe sobrevieram e a igreja, desde quando
a renovação espiritual foi rejeitada, e os que anelavam
recebe-la sofreram a humilhação e a dor do expurgo. Uma
sucessão de gravíssimas situações abateu-se
sobre a igreja, que, nas palavras de um certo historiador batista, "foi
destroçada". E levou algum tempo para começar a recompor-se.
Depois disso, com crises sobre crises, o novo pastor – Luís
Reis – logrou conduzir o diminuto rebanho por algum tempo, ate
que os problemas culminaram com sua própria exclusão.
Seu sucessor, o Dr. Dawning, um norte-americano, conceituado médico,
assumiu o pastorado em 1917. Começou bem, mas logo depois precisou
viajar com urgência para o seu país, em busca da cura de
grave enfermidade em sua esposa.
Agora, deixemos que Daniel Berg se pronuncie sobre o dia do grande confronto
entre os pentecostais e o pastor batista.
O confronto
"Certa noite, o pastor da igreja apareceu em nossa modesta morada.
Quando abriu a porta, defrontou-se com uma onda de hinos e orações.
Levantamo-nos e, depois de saudá-lo, convidamo-lo a participar
do culto improvisado. Ele recusou e declarou que havia chegado a hora
de tomar uma decisão. Disse, ainda, que ultimamente ouvira discussões
acerca de doutrinas, coisa que nunca antes acontecera. Acusou-nos de
havermos semeado dúvidas, inquietações e de ser
separatistas.
"Gunnar Vingren levantou-se e explicou que não desejávamos
a desunião, ao contrário, desejávamos que todos
se unissem. ’Se todos alcançarem a experiência do
batismo com o Espírito Santo, nunca mais se dividirão,
serão mais do que irmãos, serão uma só família.’
"0 pastor da igreja voltou a falar. Estava aberta a discussão.
Disse o pastor que a Bíblia fala realmente do batismo com o Espirito
Santo e na cura de enfermidades por Jesus, porém essas coisas
foram para aquele tempo. "Seria absurdo", disse ele, ‘que
pessoas educadas, em nossos dias, pensassem que tais coisas ainda pudessem
acontecer. Hoje, temos que ser realistas’, disse ainda o pastor,
‘e não ocupar o tempo com sonhos e falsas profecias, Hoje,
temos a sabedoria para ser usada. Se não vos corrigirdes e reconhecerdes
que estais errados, é meu dever comunicar a todas as igrejas
batistas o que está acontecendo, para que se previnam contra
as falsas doutrinas."
Os suecos não perderam a serenidade. No momento oportuno, Vingren
ponderou: "Caro irmão, não devemos permitir que assuntos
tão importantes se transformem em discussão pessoal. Somos
servos de Deus, desejamos, por isso, estar na verdade, pois aquEle a
quem nós pregamos é a Verdade. Na minha opinião,
somos colegas e não concorrentes. Saber-se quem leva as almas
a Deus é coisa secundária. O que importa é que
o número de almas salvas aumente cada vez mais. Não direi
que o irmão não esteja na verdade, mas afirmo que não
achou toda a verdade: a verdade do batismo com o Espírito Santo
e das curas maravilhosas que Jesus pode realizar em nossos dias
O rompimento
Sem o apoio com que contava, o pastor ouviu, de um diácono, palavras
ponderadas, mas firmes e decididas: "Compreendo muito bem os seus
sentimento, pastor, o senhor declara que está entre um grupo
de traidores, que se distanciaram dos ensinos que lhes ministrou. Acha
que não estamos seguindo o caminho que nos ensinou. Entretanto,
isso não é verdade. Nunca estivemos mais certos do que
agora, jamais tivemos tanta fé como atualmente. O que aconteceu
foi que agora achamos alguma coisa mais, a fé e o poder do Espírito
Santo.
"Não temos queixa, pastor de não nos haver falado
desta coisas, pois o senhor desconhecia estas verdades, de modo que
não as conhecendo, não as poderia ensinar a outros. Nós
desejaríamos que o senhor também recebesse estas bênçãos
de Deus, a fim de nos entendermos melhor e podermos sentir a mesma comunhão
com os irmãos que vieram de outras terras." Em seguida,
"o pastor", conta Daniel, "olhou mais uma vez em redor
e esperou que alguém se manifestasse a seu favor, mas foi em
vão. A seguir, dirigiu-se a mim e ao irmão Vingren e disse:
’Já tomei a decisão. A partir deste momento não
podem ficar morando aqui (...), não os queremos mais aqui.’
"Erick dirigiu a palavra aos outros, e quis saber: ’Quantos
estão de acordo com essas falsas doutrinas?’" Sem
vacilar, dezenove mãos se levantaram.
A primeira preocupação de Vingren foi com a moradia onde
pudessem receber os irmãos. Daniel o tranqüilizou. Embora
não tivesse ouvido o diálogo, o diácono que se
havia pronunciado em nome do grupo aproximou-se e ofereceu-lhes a sua
ampla sala para as reuniões e convidou-os a morar em sua casa.
0 coração generoso tinha razões sobejas para amar
os dois missionários: a curada de câncer e logo batizada
no Espirito Santo era sua esposa.
A MISSÃO
DA FÉ APOSTÓLICA
A Nova Comunidade
Excluídos pela minoria inimiga do reavivamento, os crentes, sob
a liderança de Vingren e Berg, estavam atônitos. Não
era seu propósito fundar nova igreja. Em se tratando, porém,
de fato consumado, era imperioso decidir sobre o destino a tomar.
Os excluídos por iniciativa de Raimundo Nobre (primo de Adriano
Nobre, o amigo dos missionários – futuro pastor da Assembléia
de Deus), no dia 18 de junho já se organizavam em sua própria
comunidade, na residência de Henrique Albuquerque, Rua Siqueira
Mendes, 79, no bairro Cidade Velha.
A historia nada registra sobre a escolha do nome, e sobre quem o propôs.
Informa, tão-somente, que foi escolhido o de Missão da
Fé Apostólica. 0 punhadinho de crentes, dezenove, que
lançou a semente da Assembléia de Deus era então
constituído das seguintes pessoas: José Plácido
da Costa, Piedade da Costa, Prazeres Costa, Henrique Albuquerque, Celina
Albuquerque, Maria de Nazaré, Manoel Maria Rodrigues, Jesusa
Dias Rodrigues, José Batista de Carvalho, Maria José de
Carvalho, Antonio Mendes Garcia, Manoel Dias Rodrigues, Emilia Rodrigues,
Joaquim Silva, Benvinda Silva, Ana Silva, Teresa Silva, Isabel Silva
e João Domingues.
Gunnar Vingren foi aclamado pastor da nova igreja e Daniel Berg seu
auxiliar.
Exemplo de Fé
0 trabalho começou logo a tomar grande impulso. Cada crente era
um evangelista. Não se pensava senão em ganhar almas para
Cristo.
Entrevista publicada em "A Seara" (set./1977) registra o testemunho
da pioneira Isabel Leonisia da Silva sobre aqueles primórdios:
"As segundas-feiras, havia culto de oração; as quartas,
culto de pregação, em nossa casa; as sextas, culto na
casa do irmão José Batista de Carvalho; aos domingos,
culto na Rua Siqueira Mendes, casa da irmã Celina. "Mas
os crentes testificavam, a tempo e fora de tempo! Ela prossegue: "Depois
do batismo com o Espírito Santo, tornamo-nos muito mais dedicados
ao trabalho do Senhor (...) Quantas e quantas vezes à noite,
sob grossa chuva, a pé pelas ruas distantes, seguia-mos a cantar
e a orar, levando a mensagem do Evangelho!" Foi este o tipo de
comunidade cristã moldado pelo singelo grupo de ex-membros da
igreja da Rua Balby. 0 paradigma de obreiros que foram Gunnar Vingren
e Daniel Berg, o exemplo de crentes como Isabel, explicam a explosão
espiritual que se experimentou a partir do sufocado porão sem
luz e desprovido de janelas, a qual se acelerou imediatamente na residência
do casal Albuquerque, ou seja, na Missão da Fé Apostólica,
As Perseguições
As perseguições iniciadas na Rua Balby foram-se diversificando.
Uma crescente campanha difamatória cruelmente atingia os pentecostais,
embora fosse vã. Os católicos colocaram, sobre um poste
na rua, estes absurdos dizeres: "Este Vingren é um papa
protestante." 0 evangelista Raimundo Nobre e o Pr. Erik Nelson
escreviam folhetos em que incompatibilizavam com as igrejas protestantes
os dois missionários. A pioneira Isabel Silva recorda que eles
passaram a ser expulsos dos templos.
NASCE A
ASSEMBLÉIA DE DEUS
O Nome da Igreja
O clima ficou tenso naquela comunidade, pois um número cada vez
maior de membros curiosos visitava a residência de Berg e Vingren,
onde realizavam reuniões de oração. Resultado:
eles e mais dezenove irmãos citados acima, acabaram sendo expulsos
da Igreja Batista. Convictos e resolvidos a se organizar, fundaram a
Missão de Fé Apostólica em 18 de junho de 1911,
que mais tarde por unanimidade em torno do primeiro nome mencionado
em 11 de janeiro de 1918, o titulo Assembléia de Deus foi oficialmente
registrado. Não se tratava, portanto, de igreja filiada a alguma
missão estrangeira; ela nascia genuinamente nacional, característica
que sempre primou em manter.
AS SANTAS
MULHERES
Heroínas da Fé
Entre os cooperadores da primeira hora, na obra pentecostal no Brasil,
encontram-se algumas mulheres que, com desprendimento e heroísmo,
enfrentaram os maiores desafios. Elas se puseram como verdadeiras colunas,
como vasos de ouro nas mãos de Deus.
Celina Albuquerque destacou-se entre elas. Sua bravura evidenciou-se
em episódios como o descrito por A. P. Franklin, autor de Entre
Crentes Pentecostais e Santos Abandonados na América do Sul,
citado em 0 Diário de um Pioneiro. Reporta-se a um incidente
ocorrido em 13 de novembro (de 1911), por ocasião de um batismo,
quando grande multidão, armada com facas e laços, estava
decidida a impedir a cerimônia. 0 escritor começa por informar:
"Os primeiros batismos eram feitos todos em segredo, geralmente,
as onze horas da noite, pois não havia nem templos nem tanques
batismais." E prossegue: "Mas um dia criaram coragem e anunciaram
um batismo público a beira-rio. Isso deu tempo para que os inimigos
se preparassem. Vieram então varias centenas de homens e pensavam
que com violência poderiam impedir o ato sagrado. 0 líder
veio a frente carregando uma cruz. Os poucos crentes que estavam reunidos
compreenderam o perigo naquele momento e temeram que sangue fosse derramado.
Vingren procurou ler a Bíblia, mas foi impedido. Procurou outra
vez, mas o líder tirou o seu punhal e se preparou para lançar-se
contra ele."
Neste instante, a irmã Celina interveio colocando-se entre os
dois, e com esse gesto salvou-lhe a vida. Então veio a inesperada
providência de Deus: o Senhor fez com que um outro católico,
pessoa idosa e respeitável, se impusesse, a gritar: "Chega!
Deixem que eles tenham a sua cerimônia." 0 líder do
grupo intentava concretizar a ameaça, mas sem o mesmo ímpeto
foi contido pela palavra do missionário: "Eu faço
somente o que Deus quer!" E mesmo sob os riscos, que continuavam,
o ato se realizou. E Deus deu o livramento. Ao ser batizada no Espirito
Santo, Celina começou a despertar os irmãos no sentido
de lhe seguirem o exemplo, havendo sido, por conseguinte, um marco esplendoroso.
Pioneirismo
Celina e sua irmã foram as duas primeiras pessoas do grupo a
declararem publicamente sua crença nas promessas de Cristo. Nazaré,
a segunda pessoa dentre eles a receber o selo da promessa. Em 1914,
esta viajou para o Ceará, tocha viva do Espirito, a levar a chama
pentecostal à sua terra. Em 1977, em Manaus, entrevistada pelo
autor deste livro, quando diretor de "A Seara", a pioneira
Isabel Leonidia da Silva, um dos três remanescentes vivos do grupo
fundador da nova igreja rememorava, lúcida e fervorosa, as bênçãos
e lutas experimentadas nos primeiros dias. Ela disse que quem dava credito
as palavras dos dois estrangeiros era hostilizado e recebia tratamento
humilhante. Para muitos, eram os "canelas de fogo", insuportáveis
porque cometiam a "deselegância" de louvar ao Senhor
em altas vozes. Durante as noites, rabiscavam-se imoralidades nas paredes
da casa de Isabel; todas as manhãs, a primeira ocupação
de seu pai era lavar tudo aquilo, o que fazia serenamente, sem protestos,
a orar pelos perseguidores. Com relação a Vingren e Berg,
"hospedados" no "escuro corredor", ainda se condoía:
"Aquele quadro cortava-me o coração: os dois missionários
jogados no porão do templo, e a orar e chorar noite e dia aos
pés do Senhor." Os nomes dessas cristãs se destacam
porque – como aquelas que buscaram o túmulo de Cristo e
primeiro o viram ressurrecto – elas estavam entre os que mais
valorizavam a visitação do Espirito. Por isso, certamente,
foram as primeiras pessoas a receberem a promessa pentecostal.
Pentecostes
A todos envolvia a atmosfera impregnada da graça de Deus. Senão
em sua totalidade, em sua maioria os crentes da igreja pentecostal estavam
em continua e doce embriaguez do Espirito. 0 clima em que viviam era
o mesmo que inspirou poemas como este:
Sob A Proteção
Do Alto A Fera e o Perseguidor
A humildade com que eles se haviam agradava a Deus, que transformava
as hostilidades em bênçãos. Os impressos do pr.
Erik e do evangelista Raimundo, em vez de afugentar, aguçavam
a curiosidade. E muitos compareciam a incipiente congregação
apenas para ver. Mas, ao ver, criam. Foi o que sucedeu quando o jornal
"Folha do Norte", de grande circulação, incumbiu
um repórter de escrever matéria sobre os pentecostais.
0 texto sensacionalista causou impacto na opinião pública
e serviu como propaganda: levou muitas pessoas aos cultos. Depois de
retornar ao templo, e ver com os próprios olhos o que acontecia,
o jornalista escreveu outra longa reportagem, em que declarava: "Nunca
vi uma reunião tão cheia de fé, fervor, sinceridade
e alegria entre os crentes."
0 mal semeado voltava, as vezes, como bumerangue, ao ponto de partida.
Foi o que sucedeu com um fazendeiro, péssimo patrão que
maltratava seus empregados e passou a odiar alguns deles, porque se
converteram. Foi numa das ilhas do rio Amazonas, aonde Vingren e Berg
se dirigiram para efetuar um batismo. Algumas pessoas, agrupadas nas
proximidades, escarneciam.
Um galho da árvore, a cuja sombra Vingren lia o texto bíblico,
subitamente desceu, quase a cair sobre ele. Era muito grande e se houvesse
atingido o missionário, graves seriam as conseqüências.
Observaram que fora cortado a machado e que alguém corria em
direção a fazenda do inimigo. Logo, a certa distância,
o vulto fez sinais inamistosos com a mão e desapareceu no mato.
Terminado o batismo, perceberam todos que um jovem corria na direção
dos crentes. Ele contou que perto dali vira uma fera com alguma coisa
na boca. "Então", conta Daniel, "diante de nossos
olhos apareceu um trecho cavado; ao lado estava um pé do homem
e mais adiante o seu chapéu de palha. No chapéu havia
marcas de sangue. Mais uma pessoa se juntou ao grupo, e perguntou o
que acontecera. Mostramo-lhe os testemunhos mudos do ataque da fera,
que tínhamos diante de nós."
OBREIROS
PIONEIROS
Testemunhos da Fé
Tão impetuosas e céleres foram as chamas pentecostais,
a crepitar no Brasil a partir de 1910, que pouco restou da biografia
de vários pioneiros. Reduzido e o numero dos que deixaram noticias
mais pormenorizadas de seu trabalho e dos frutos dele resultantes. Essa
lacuna é apenas atenuada com a previdência e as providencias
dos pioneiríssimos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Ivar Vingren,
em entrevista ao "Mensageiro da Paz", aludiu ao cuidado de
seu pai com o seu diário, que chegou até nós. Quanto
a Daniel, dispomos de seu comovente livro Enviado por Deus, uma autobiografia,
por isso é possível escrever paginas e mais paginas sobre
eles. Pela razão exposta, não havendo como destinar um
tópico para cada obreiro, vamos registrando suas luminosas contribuições
na medida em que a Obra vai se desenvolvendo.
O Companheiro Presbiteriano
Nos primeiros dias da presença dos missionários em Belém,
a mão de Deus coloca em cena uma nova e relevante personagem.
É um comandante de navio da Companhia "Port of Pará"
que, por falar inglês, viria a atuar, voluntária e generosamente,
como intérprete. Seu nome: Adriano Nobre. Seu primo Raimundo,
estudante no Seminário Batista do Norte, em Recife, na qualidade
de estagiário passa as férias na Primeira Igreja Batista
de Belém. Raimundo fez as apresentações. Ainda
reina a paz, a prosperidade da igreja, com o abençoado trabalho
dos missionários, ecoa mais forte que algum murmúrio contestatório,
alguma incipiente estranheza a respeito do grande fervor dos suecos.
Berg e Vingren ainda não sabiam expressar-se em português,
por isso recorriam ao intérprete para falar do amor de Cristo.
"Começamos a testificar do que nos mesmos tínhamos
recebido do Senhor, do que havíamos visto e ouvido da sua gloriosa
obra nos Estados Unidos", rememora Daniel, que prossegue: "Alguns
dos membros da igreja foram tocados, quando ouviram que Jesus sara os
enfermos e batiza com o Espirito Santo, agora, como no dia de Pentecostes.
E quando começamos a entender um pouco de português, continuamos
falando com os batistas sobre o batismo com o Espirito Santo."
Encontro de Obreiros
Outros cooperadores logo se apresentariam para a grande "batalha
contra o mal", como diz um dos mais belos hinos, que milhões
haveriam de cantar. Algum tempo depois já puderam reunir-se no
que se viria a denominar convenção.
Foi a igreja em São Luís, município de Igarapé-Açú/PA.,
que hospedou o primeiro encontro de obreiros no Brasil. A vila era ponto
estratégico, pois servia de ligação entre a capital
e as demais localidades da antiga Estrada de Ferro Belém-Bragança
devido as suas plantações de café. Nessa localidade,
a Assembléia de Deus chegara por volta de 1915. Na gestão
do pastor João Pereira de Queiroz, a igreja atingiu o ápice
de sua trajetória, chegando a representar um marco na historia
do trabalho pentecostal não somente no Estado do Pará
como em todo o pais.
Desse trabalho, saíram, ou para lá se dirigiam, as proeminências
dos batalhadores do Evangelho que aos poucos iam surgindo. Por não
haver templo ainda, os irmãos se reuniram na casa do pastor,
e do encontro participaram cerca de quinze igrejas, ocasião em
que compareceu o maior numero de obreiros desde a fundação
do trabalho: cerca de treze pastores.
0 principal tema convencional referiu-se a grande responsabilidade sob
os ombros da igreja paraense em levar avante a Obra, que deveria se
estender por todo o pais. Unânime foi a aceitação
do desafio, ficando todos dispostos e entregues a vontade de Deus para
a realização de sua exclusiva vontade. Dentre os obreiros
que tomaram parte estavam o missionário Samuel Nystrom e os pastores
Isidoro Filho, Luís Higino de Souza Filho, Almeida Sobrinho,
João Pereira de Queiroz, José Felinto, Manoel Zuca, Manoel
César (Neco César) e Pedro Trajano.
MISSÕES
HOJE
Informações
colhidas junto a órgãos da Convenção Geral
dão-nos a convicção de que cerca de 70% das igrejas
estão envolvidas com missões. Muitas delas tem o seu culto
especial onde se colhem ofertas destinadas aos que ganham almas para
Cristo em outras terras. Nesses encontros, os corações
de não poucos jovens pulsam mais fortemente, movidos pelo amor
a outros povos desconhecedores da Palavra de Deus.
0 órgão da Convenção Geral que cuida da
matéria e a SENAMI (Secretaria Nacional de Missões, fundada
em 22 janeiro de 1975). Nela estavam cadastrados, em maio de 1997, 802
missionários. Eles serviam ao Senhor em muitos países:
África do Sul, Angola, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia,
Costa Rica, Equador, Espanha, Estados Unidos da América, Guiana
Francesa, Guine Bissau, Haiti, Japão, México, Moçambique,
Paraguai, Peru, Polônia, Romênia, Ucrânia, Venezuela,
Cabo Verde, Senegal e Portugal. Devemos levar em conta, ainda, que há
um grande número de igrejas que enviam missionários sem
o controle da SENAMI. Admite-se que estes totalizem não menos
de dois mil obreiros.
AS CHAMAS
DESCEM DO NORTE
O ponto de partida
De Belém do Pará, a Obra começa a irradiar-se para
todo o pais. Os crentes tem sede de ganhar vidas para Cristo, e evangelizam
pela cidade (logo já teriam "pontos de pregação"
em quatro locais na zona urbana), as margens da Estrada de Ferro Belém-Bragança,
nas ilhas, alhures. Os dois missionários são o exemplo
de consagração, de dedicação, de destemor
diante de ofensas e ameaças. Os perigos chegam de todos os lados,
mas Deus intervém, infalivelmente. E o Pentecostes avança.
Irreversíveis, as chamas descem do Norte. E contra os demônios
que elas descem. Elas são o canto de libertação
e a alegria no coração do povo. Berg toma os igarapés,
os rios maiores, busca almas para Cristo entre feras e nas regiões
onde endemias e epidemias estendem seus invisíveis e mortíferos
tentáculos.
A Vingren, coube evangelizar
a capital. Eles se completam:
um teve a oportunidade de adquirir bons conhecimentos teológicos
no seminário, e o pregador, o mestre da Palavra; o outro, ex-operário,
desde os Estados Unidos, e o colportor, com a mensagem singela, mas
também muitíssimo ungida, de porta em porta. Durante os
três primeiros anos, Berg espalhou duas mil Bíblias, quatro
mil Novos Testamentos e seis mil Evangelhos. Ele registraria esses aspectos:
"Nossas vocações eram diferentes, porém nos
combinávamos; ele era pregador extraordinário, enquanto
eu me havia dedicado a orar pelos enfermos e por aqueles que buscam
a Jesus, ao serviço de distribuir a Palavra de Deus por toda
a cidade."
Belém, com suas quatro igrejas evangélicas, inclusa a
dos pentecostais, que despontava poderosa, tinha a oportunidade de ouvir
e receber a mensagem da cruz. Havia os que se interessavam. Eram poucos,
mas estavam dispostos a sair das trevas da idolatria, para se inteirar
da "lei dos crentes".
Os poucos recursos para o evangelismo eram empregados na zona urbana;
o interior era inteiramente esquecido. Mas dos Estados Unidos chegavam
ofertas que os missionários empregavam na compra de Bíblias
– elas vinham das mãos generosas dos pastores A. A. Holongren
e B. M. Johnson, este último da igreja visitada por Berg e Vingren
quando de sua viagem para o Brasil. Naquela ocasião, como se
recorda, o pastor Johnson não pode ajudar os nossos pioneiros.
Deus vai levantando braços para se somarem aos dois missionários.
Após os dezenove da Rua Balby, pouco a pouco outros vão-se
apresentando para a batalha.
Logo realizar-se-á o primeiro batismo, nas águas do rio
Guamá. 0 rebanho cresce, principalmente com as hostilidades.
As curas de enfermidades, as libertações dos oprimidos
e possessos falam mais alto que as barreiras do homem. As muralhas se
fendem e se pulverizam ante as clarinadas do Espirito. Daniel Berg começa
a caminhada que levará a novel igreja para selvas, sertões,
cerrados, campinas de todo o pais.
Bragança, Soure (Ilha de Marajó) são apenas o começo:
em seguida vem Xarapude, Coatipuru, Ilha de Caviana, Capanema, Igarapé-Açú,
Benevides, Timboteua, Peixe-Boi. Começam a chegar missionários
para reforçar o grupo valoroso que um dia constituirá,
pelo grande numero de seus integrantes, o batalhão de obreiros
da igreja pentecostal pioneira. 0 número de líderes brasileiros
vai crescendo pouco a pouco, até o dia em que se considera com
suficiente maturidade para assumir o comando.
Climaco Bueno Aza e colombiano, mas e como se brasileiro fosse. Em 1913
ele se apresenta para batalhar em nome do Senhor dos Exércitos,
e seus pés abençoados irão percorrer muitas terras,
até chegar a Minas Gerais. A obra cresce e há necessidade
de obreiros. Separam-se os primeiros: Joaquim Amaro do Nascimento, Francisco
Cameiro e um casal mudam-se para Açaisal. Consagram-se os primeiros
pastores brasileiros: Absalão Piano, Isidoro Filho, Crispiano
de Melo, Pedro Trajano e Adriano Nobre. 0 ano: 1913. Chegam os missionários
Otto Nelson e esposa em 25 de outubro de 1914. O missionário
Samuel Nystrom, e entre os participantes estão os integrantes
do Estado Maior do Reino de Deus: José Moraes, Antonio Rego de
Barros, Bruno Skolimowski, Isidoro Filho, Francisco Gonzaga, José
da Penha, Juvenal Roque de Andrade, João Queiroz, João
Batista de Melo, Manoel César, Paulino Fontenele, Januário
Soares e João Francisco de Argemiro. Em 1924, a experiência
de Gunnar Vingren e suplicada na Capital da República. Ele passa
a direção da Igreja a Samuel Nystrom, e se transfere para
o Sul.
E a década da consolidação da Assembléia
de Deus como igreja de presença efetivamente nacional; poucas
regiões agora estão para ser atingidas. Em 1927, a comunidade
pentecostal pioneira está em mais cinco Estados, entre eles Minas
e São Paulo.
Amazonas
Novamente, um dos participantes do Avivamento de Belém retorna
ao torrão natal com a nova mensagem. Severino Moreno de Araújo
e o seu nome. Chega a Manaus em 1917. No ano seguinte, já estava
sendo implantando o trabalho na cidade. Dessa missão e Samuel
Nystrom incumbido pela igreja-mãe, a de Belém. Nos primeiros
meses, quinze pessoas são batizadas em águas, entre as
quais Fausta e Adalgiza Lima, que recebem, no momento da cerimônia,
o batismo com o Espirito Santo. E também submerso em águas,
"em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo", um membro
da nobreza lusitana decadente, um capitão de navio, que escapara
do suicídio ao receber a Palavra de Deus.
Rondônia
Em 28 de fevereiro de 1922 a igreja de Rondônia foi organizada
pelo missionário Paulo Aenis. Não se sabe quem evangelizou
os crentes que ele ali encontrou. Seu sucessor foi o Pr. Manoel César
(1924).
de Carvalho foi o seu primeiro pastor. A igreja que o enviou foi a de
Belém do Pará. Nada mais se registra a seu respeito nos
anais das Assembléias de Deus.
A CHEGADA
AO NORDESTE
Acre
Em 1914, a mensagem do Evangelho Pleno, e quem a traz e uma testemunha
ocular do Pentecoste irrompido em Belém. Mais que isso: e uma
participe dele; integrou o grupo dos dezenove fundadores da Missão
da Fé Apostólica. E – o mais importante –
foi a segunda pessoa a receber o batismo no Espirito Santo. A igreja
acreana começou em Cruzeiro do Sul, com Manoel Pirabas, em 1932.
José Barros.
Ceará
0 Estado do Ceará é duplamente privilegiado: recebe, Maria
de Nazaré, como os outros não-paraenses, está anelante
de que seus conterrâneos conheçam a mensagem do Evangelho
Pleno. Ela decide começar pelos seus familiares. Eles rejeitam
a pérola espiritual que Nazaré Ihes traz. Mas os presbiterianos-independentes,
que já tem Cristo na vida, querem conhecê-lo melhor, e
dizem: "Sim!" E tornam-se todos pentecostais. Ao retornar
a Belém, Nazaré faz saber ao pastor que as novas ovelhas,
em Fortaleza, esperam por um obreiro.
No ano seguinte, 1915, Gunnar Vingren vai pessoalmente informar-se do
que ocorre. E constata que realmente urge tomar a providencia: envia
o incansável Adriano Nobre, que, em 1922, e substituído
pelo cearense Antonio do Rego Barros. Este permanece por um ano, apenas,
e da lugar a José Teixeira Rego. Teixeira estivera no Sul, e
volta a liderança da igreja. Em 1929 ocorre nova troca de obreiros,
e retorna Antonio do Rego Barros.
Alagoas
Alagoas e o terceiro Estado a receber um obreiro pentecostal. Os crentes
lá existiam já, em 1915, quando Otto Nelson desembarca
de um navio do Lloyd Brasileiro, em atendimento ao chamado divino. São
seis crentes que ansiosamente o aguardam. Quem os evangelizou? Desconhece-se.
Sabe-se que Otto Nelson chegou no dia 21 de agosto, e dia 25 estavam
reunidos no primeiro culto, ocasião que três deles foram
batizados com o Espirito Santo. Perseguições se levantam
contra os crentes, são muitas, mas eles não se intimidam.
Pouco a pouco, as conversões vão acontecendo, e, em 22
de outubro de 1922, inaugurara-se o primeiro templo da Assembléia
de Deus no Estado. Em 1923 (21 a 28 de outubro) acontece, em Maceió,
a Primeira Convenção Estadual, a que comparecem Gunnar
Vingren, Samuel Nystrom, Samuel Hedlund, Simon Sjogren, Elisabeth Johanson
e Lily Johnson.
Pernambuco
De Belém chega, em 1916, o infatigável pioneiro Adriano
Nobre. E mais um Estado em que o Pentecoste antecede os obreiros, prova
eloqüente de que com o homem e até sem ele, o Espírito
Santo age e visita com fogo do alto. Crentes de igrejas tradicionais
ouvem a mensagem do Evangelho Pleno, e crêem.
Apesar das dificuldades, a Obra cresce: no ano seguinte acontece o primeiro
batismo, de duas pessoas. Luli, uma delas, e batizada com o Espirito
Santo.
Em 1921, desembarca em Recife um casal de missionários: Samuel
e Tora Hedlund. Deus realiza, através deles, um bom trabalho.
Sete anos se passam, e vem dar sua contribuição ao trabalho
do Senhor no Brasil Nils Kastberg e esposa.
Paraíba
Em 1918, vivia em Campina Grande um ex-integrante da Policia Militar
paraense de nome Manoel Francisco Bu. Em Belém, em 1909, ele
se tornara presbiteriano. Com o irrompimento do Movimento Pentecostal,
aceitou com entusiasmo a doutrina ensinada por Gunnar Vingren e Daniel
Berg. Foi a quarta pessoa e o primeiro homem a receber, na capital paraense,
o batismo com o Espirito Santo.
Retornando ao seu estado, em 1914, Manoel Bu, reunia-se com batistas
e congregacionais e, não obstante a sua humildade, ensinava-lhes
acerca dos dons espirituais.
Com outro paraibano que visitava a cidade, em 1918 – Galdino Cândido
do Nascimento, realizou o primeiro culto pentecostal em sua terra. E
Deus fez prosperar a Obra.
Em 1920, um irmão chamado Vitalino Bezerra dirigia um trabalho
na cidade de Guarabira. No mesmo ano chegaria a João Pessoa,
procedente de Pernambuco, o irmão Francisco Félix.
Chega ao estado, em 1923, o missionário Simon Sjogren, que realiza
bom trabalho e deixa a direção da igreja no ano seguinte.
Então, a 24 de junho de 1924, o Pr. Cícero Canuto de Lima
assume a liderança.
Rio Grande do Norte
Mais um crente tocado pelo Espirito Santo, em Belém do Pará,
volta ao seu ponto de origem para evangelizar os conterrâneos.
Trata-se de um membro da assim chamada família César,
que prepara o terreno para o surgimento da igreja. Em 1918, o Pr. Adriano
Nobre esta em Natal, onde oficializa o trabalho e oficia o primeiro
batismo, mas logo estará em outra cidade. 0 pastor que efetivamente
assume a liderança local e José Paulino Estumano de Morais.
São necessárias mudanças, para o progresso da Obra
no pais. 0 reconhecimento de que elas precisam ser feitas vai culminar
com decisão tomada pela Primeira Convenção Geral.
0 encontro se realiza em Natal, quando a igreja está sob a direção
de Francisco Gonzaga. Com a presença dos missionários,
os pastores brasileiros, então, assumem a liderança da
igreja no Nordeste. E o ano de 1950.
Maranhão
0 grande batalhador pela causa de Cristo Climaco Bueno Aza aparece,
nos primórdios da história da Assembléia de Deus,
no Maranhão. Ele chegou a São Luís em 10 de março
de 1918.
Logo depois, estava sendo realizado um batismo. Ao que consta, os primeiros
que receberam a promessa no estado foram Propecio Lobatão, Isabel
Rodrigues e Maria Oliveira. 0 trabalho foi dirigido em caráter
provisório, pelo missionário Nels Nelson, até a
posse de Manoel César. Quem o sucedeu foi Luís Higino
de Souza.
Bahia
Em 1926, em Canavieiras, Joaquina de Souza Carvalho já ensinava
sobre o batismo com o Espirito Santo. E entre os que creram estava o
diácono Teodoro Santana.
Na mesma cidade veio a realizar-se o primeiro batismo em águas,
de vinte pessoas já batizadas no Espirito Santo. 0 oficiante,
João Pedro Teodoro Santana, foi indicado para liderar a igreja.
Ele veio a ser separado para o ministério por Otto Nelson, o
que ocorreu em 13 de junho de 1929.
Grandes perseguições intentaram atemorizar os crentes,
mas eles perseveraram.
Enquanto a Obra prosperava na capital, a mensagem pentecostal chegava
também a Curaçá. No Rio de Janeiro, estimulados
pelo missionário Vingren, dois baianos Catarino Varjão
e Silverio Campos –, obedecendo ordem do Senhor, para lá
viajaram em 1928, com o objetivo de falar de Cristo aos seus familiares
e amigos. Parentes de Varjão aceitaram a Cristo e com eles outros
foram tomando o mesmo propósito. Havia trinta novos convertidos
ao final de dois meses.
Só em 1950, a 27 de maio, a Assembléia de Deus foi oficialmente
fundada. 0 local, a residência do missionário Otto Nelson.
Os primeiros batizados em águas foram Carlos Araújo, Adelina
Domingos Dias, Lídia Nelson e Ruth Nelson.
A primeira pessoa batizada com o Espirito Santo na Bahia chamava-se
Honorina.
Em 1930, a igreja em Salvador tinha o seu primeiro pastor: João
Pedro da Silva.
Sergipe
Foi em 1927 que Sergipe conheceu a mensagem pentecostal. Levou-a um
militar, o sargento do exercito Ormidio. Como outros pioneiros, ele
veio de Belém. Encontrou terreno fértil e começou
a semear a palavra. Logo depois, chegava de Maceió o Pr. João
Pedro da Silva para efetuar o primeiro batismo.
Piauí
Também a capital do Piauí recebeu o Evangelho Pleno em
1927 (8 de junho). Um irmão de nome Raimundo Prudente de Almeida
visitava a cidade, levando a Palavra. Em 1930, alguns pentecostais de
Flores, no Maranhão, seriam também evangelizadores de
comunidade pentecostal na então capital da República,
antes que os pioneiros da Assembléia (Paulo Macalão e
outros) houvessem começado a reunir-se, em 1923, em São
Cristóvão. Nesse ano, Gunnar Vingren o teria visitado,
e pregado em sua igreja, mas dele se afastou quando o inglês tomou
o caminho das heresias.
Irmãos paraenses, que haviam iniciado a evangelização
no tradicional bairro, no ano anterior, organizaram-se em igreja e escolheram
o seu primeiro pastor: Heráclio Menezes. 0 primeiro batismo ocorreu
em 29 de junho de 1924, na Praia do Caju, oficiado pelo ex-pastor da
Assembléia de Deus em Belém, que havia aceitado convite
para dirigir a igreja no Rio de Janeiro. Os primeiros a receberem o
batismo com o Espirito Santo, no então Distrito Federal, foram
Maria Rosa Rodrigues, Paulo Macalão (que logo revelaria sua condição
de líder; foi o primeiro pastor consagrado no Rio de Janeiro,
e se tornou um dos mais importantes nomes das Assembléias de
Deus no pais), Maria Miranda, Florinda Brito, Margarida Eugenia e outros.
No mês de abril de 1925, a pequena igreja recebeu a visita dos
missionários suecos no Brasil e na Argentina, que se reuniram
no Rio. 0 resultado da Convenção foram sessenta decisões
por Cristo. Na época, era um numero grande para uma igreja iniciante.
0 crescimento da obra, também, no Estado do Rio, passou a exigir
mais obreiros. A fim de auxiliarem o pastor, em 12 de janeiro de 1927
chegaram ao Rio dois baluartes: José Teixeira Rego e Bruno Skolimowski.
0 primeiro foi designado para dirigir os cultos em São Gonçalo,
Niterói, Belford Roxo e onde mais nas cercanias se fizesse necessário.
Petrópolis recebe, como pastor, em maio do mesmo ano, a Skolimowski.
A igreja tem, em agosto de 1930, a visita de Lewi Pethrus, que interrompe
a construção de um grande templo em Estocolmo para, a
convite de Vingren, participar da decisiva convenção em
Natal, de 5 a 10 de setembro.
Assistida pela igreja da capital da Republica, só em novembro
do mesmo ano Niterói tem o seu primeiro pastor: o missionário
Samuel Hedlund.
Minas Gerais
0 mesmo infatigável Climaco Bueno Aza estava em Belo Horizonte,
em fevereiro de 1927, na condição de pioneiro. Em sua
residência tiveram lugar os primeiros cultos, quando aceitaram
a Cristo: Antonio Gomes, o capitão Antonio Lopes de Oliveira,
Valdomiro Peres, Francisco Pereira, Eloi Gil Braz, José Alves
Pimentel e João de Carvalho.
São Paulo
Mais uma Assembléia de Deus se instalava em 1927: a da capital
paulista. Ela teve o privilegio de ser fundada pelo pioneiríssimo
Daniel Berg, que lá chegava, com a esposa Sara, no festivo 15
de novembro, e escolheu, para residir, a Vila Carrão.
Pouquíssimas pessoas assistiram aos primeiros cultos, mas o trabalho
começou logo a crescer, e em março do ano seguinte ocorreria
o primeiro batismo em águas.
Nessa época, também estava em São Paulo o missionário
Samuel Nystrom e, em sua casa, havia cultos. Logo, surgia uma congregação,
a principio instalada na Rua Oriente e, depois, na Rua Chavantes. Mas
a primeira cidade do Estado a receber a mensagem pentecostal foi Santos,
em 5 de março de 1924. Levaram-na irmãos procedentes de
Recife. A primeira pessoa convertida chamava-se Amélia Barreiros.
Daniel Berg foi o primeiro pastor a dar-Ihe assistência. Depois
dele, veio o missionário John Sorhein, permanecendo ate agosto
de 1928. 0 terceiro, foi o missionário Simão Lundgren.
Depois dele vieram: Climaco Bueno Aza, Francisco Gonzaga da Silva, Bruno
Skolimowski e Geraldo Machado.
PENTECOSTE
Santa Catarina
0 pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina foi André
Bernardino.
Mas desde o inicio do século XX, havia sinais do Pentecoste em
solo catarinense. Segundo informações de historiadores
independentes, Pedro Graudin, pastor da Igreja Leto-Batista até
1909, era batizado com o Espirito Santo e tinha o dom de profecia. Por
esta razão, expulsaram-no daquela comunidade.
Por ali também passava outro pastor batista, Paulo Malaquias,
que, de acordo com as mesmas fontes, havia sido batizado no Espirito
Santo em 1908. Ele, que veio a pastorear uma Assembléia de Deus
no Rio Grande do Sul, garante: "Nos primeiros anos deste século
deu-se a manifestação do Espirito Santo no Sul. "0
irmão Daniel Bernardino (neto do pr. Pedro Graudin, filho do
pr. André Bernardino, pioneiro da Assembléia de Deus em
Santa Catarina, e que afirmava ter recebido a promessa em 1908) e sua
mãe, lúcida octogenária, residentes em Santa Catarina,
confirmam tais fatos. Em 1923, o missionário Gunnar Vingren teve
informações, em Belém, de que em Santa Catarina
havia um movimento pentecostal em andamento. Para constatar esses fatos,
Vingren viajou para o Sul. Apurar-se-ia mais tarde que, apesar de alguns
focos de misticismo antibiblico, o Pentecoste de fato havia sido plantado
em solo catarinense.
Rio Grande do Sul
A Assembléia de Deus esta em Porto Alegre, ao que consta, desde
15 de abril de 1924, ano em que lá chegou o missionário
Gustavo Nordlund.
Ele residira por oito meses em Belém, antes de ir para o Sul.
Em 1927, foi substituído em Porto Alegre por Nels Nelson.
Paraná
Bruno Skolimowski chegou a Curitiba em outubro de 1927. Na cidade não
encontrou evangélicos.
Começou pela colônia polonesa, com a qual se identificou
pela sua primeira língua. Em 1929, transferiu residência,
com a família, para Curitiba.
A convite do pastor Erich Ostermoor, assistiu aos cultos e pregou na
Igreja Congregacional. Alguns acolheram os seus ensinamentos relativos
ao batismo com o Espirito Santo.
Em sua residência, promovia cultos a que assistiam, alem dos poloneses,
alemães e ucranianos (Skolimowski era poliglota).
Registrou a igreja em outubro de 1929, e só então começou
o trabalho em português.
Raeiko Camvaaa.
Mato Grosso
Havia apenas um Estado de Mato Grosso, em 1923, quando a evangelização
teve inicio em suas terras. 0 obreiro chamava- se Eloi Bispo de Sena.
Nenhuma igreja o enviou; o Espirito Santo o impulsionou e ele foi, começando
por Guajará-Mirim. Da Sinopse Histórica da Assembléia
de Deus, de Alcebiades Vasconcelos, consta, no tópico sobre "Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul", que "no ano de 1943, o mission |